quinta-feira, 29 de julho de 2010

A VÍTIMA

Eis algumas das 27 perguntas que ficaram por responder pelo Senhor José Sócrates Pinto de Sousa aos Procuradores da República por falta de tempo ou de vontade destes Senhores Magistrados.

"Confirma a recepção, na sua residência, de uma carta que lhe terá sido dirigida pelo arguido Manuel Pedro, tratando-o por "Caro amigo"?"

"Confirma ter havido um apoio efectivo da família Carvalho Monteiro [tio e primos de Sócrates] ao licenciamento do Freeport?"

"Encontra alguma explicação para o teor das declarações produzidas nos autos por Hugo Monteiro (seu primo), segundo o qual a reunião promovida pelo pai com o então ministro do Ambiente "foi realizada e contribuiu decisivamente para o licenciamento" do Freeport?”

"Encontra alguma explicação para as declarações de Hugo Monteiro no sentido de que, ainda antes da apresentação do projecto, foi ter consigo, a sua casa, na Rua Braancamp, em Lisboa, perguntando-lhe se não se importava que ele invocasse o seu nome, para prestigiar o projecto, ao que terá respondido afirmativamente?"

"Como explica o envio, através da conta de correio electrónico josesocrates@ps.pt, de uma mensagem de propaganda eleitoral ao arguido Charles Smith (charlessmith@mail.telepac.pt), sendo certo que o mesmo é de nacionalidade estrangeira e não inscrito nos respectivos cadernos eleitorais?"

"Confirma que, em Outubro de 2000, enquanto ministro do Ambiente, deu alguma orientação no sentido do ICN apresentar proposta de alteração dos limites da ZPE [Zona de Protecção Especial] do Estuário do Tejo?”

"Teve conhecimento da colaboração do arguido Eduardo Capinha Lopes nas campanhas eleitorais do PS para as autárquicas de 2001, nomeadamente em Grândola, Santiago do Cacém, Moita, Barreiro e Alcochete e, em caso afirmativo, se essa colaboração influenciou a sua escolha para o desenvolvimento dos projectos de arquitectura do complexo Freeport?"


Como é que com estas dúvidas se pode ilibar alguém e apontar o dedo a dois “bodes expiatórios” para tentar limpar a sujidade que foi feita?


sábado, 17 de julho de 2010

RONALDO PROCESSA GOVERNO

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De acordo com fontes próximas do futebolista, Cristiano Ronaldo vai processar o Estado Português porque, disse a fonte, “o Governo prometeu um cheque de 200 euros por cada criança nascida e o Cristiano ainda não recebeu nada”.

Assim que o Governo anunciou há um ano esta importante benesse, Ronaldo pensou logo que desta maneira valia a pena ser pai, procurando entre as várias candidatas concretizar o desejo do primeiro-ministro em aumentar a natalidade nacional.

Segundo a fonte, Ronaldo está bastante chateado com José Sócrates e por isso o seu baixo rendimento no mundial, pois sente-se enganado e com uma criança nos braços para alimentar e do cheque de nada se sabe.

Não fosse a família, Cristiano não teria condições para criar sozinho o rebento que nasceu de mãe incógnita em local desconhecido, mas que, segundo dizem, é muito parecido com o pai.

O Governo, por sua vez, aponta o dedo à crise e sustenta que está a reavaliar o calendário para arrancar com a entrega dos “brindes” prometidos.
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sábado, 22 de maio de 2010

O ECONOMISTA


O economista Silva disse: “Eu tenho mais de 20 ou 30 textos escritos desde 2003 sobre a insustentabilidade da trajectória que Portugal vinha a seguir. Um país não pode aguentar durante muito tempo gastar muito mais do que aquilo que produz. Esse é o nosso grande drama neste momento”.

Mas o que diz ou faz o economista Silva como Presidente da República? Nada.

Para que serve ter um Presidente de uma República que permite as mais cruéis arbitrariedades de um governo sem rumo e reconhecidamente incompetente?

Que diferenças existem entre um almirante Tomás e um economista Silva?

Um cortava fitas e nunca falava da governação, enquanto o outro não fala da governação e faz visitas turísticas pelo país gastando o pouco que temos.

Pelo menos, o marinheiro tinha um Salazar no governo que nunca permitiu o aumento do pão e de outros bens essenciais, permitindo assim aos mais carenciados um mínimo para a sua sobrevivência.


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quinta-feira, 22 de abril de 2010

COITADINHA


De acordo com o “Correio da Manhã” as viagens da socialista Inês de Medeiros entre Lisboa e Paris vão custar ao Parlamento, ou seja, a todos nós, mais de seis mil euros por mês. Ontem, o conselho de administração da Assembleia da República aprovou o parecer do auditor jurídico, que defende o pagamento das ajudas de custo à deputada, com o voto de qualidade de José Lello (PS), enquanto presidente, face ao empate dos votos a favor dos socialistas e os votos contra de PSD e BE. O CDS-PP absteve-se e o PCP não se fez representar.

A decisão do conselho não é vinculativa, mas, caso Jaime Gama dê o seu aval, Inês de Medeiros terá direito a uma viagem de avião de ida e volta, na classe mais elevada, uma vez por semana entre Paris e Lisboa, que ronda os 1160 euros. Ao fim do mês, são 4640 euros, acrescidos de despesas com as ajudas de custo pagas aos deputados que residem fora da grande Lisboa (69, 19 euros por cada dia de presença em trabalho parlamentar), o que, multiplicado por 22 dias úteis, representa 1522,18 euros. Ou seja, estão em causa 6162, 18 euros, a que se juntam ainda as despesas com a deslocação entre o aeroporto e a residência da deputada.

Inês de Medeiros congratulou--se com a decisão. "A minha satisfação é isto estar resolvido e acabar com esta campanha de enxovalhos e de informação pouco rigorosa."

Calculem: a senhora sentiu-se enxovalhada e acha que a informação não tem sido rigorosa. Não é de admirar! Já o chefe, o que se intitula engenheiro, também tem as mesmas teorias e arranja as mesmas desculpas para as trapalhadas em que está metido.

Estranha é a abstenção do CDS/PP e a ausência do PCP na reunião, permitindo que o senhor Lello pudesse utilizar o seu voto de qualidade em relação a um assunto que beneficia a sua distinta camarada.

Aqui está um bom exemplo de “democracia” trazido pelo 25 de Abril.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

SERÁ JUSTO?


É lamentável que o Governo tenha decidido conceder tolerância de ponto apenas aos funcionários públicos do Concelho de Lisboa na tarde do dia 11 e aos do Concelho do Porto na manhã do dia 14 de Maio, por ocasião da visita Papal a Portugal.

Então e os dos outros Concelhos não são também filhos da mesma Igreja?

Já estava a ver a cena aqui no Seixal: autocarros da Câmara prontos para a viagem e a grande maioria dos funcionários de bandeirinhas brancas e amarelas para acenar a Bento XVI, como se fossem para mais uma manifestação da Intersindical na avenida da Liberdade.

Ainda por cima o dia 11 é a uma terça e o dia 14 a uma sexta-feira, o que sempre daria para os menos católicos fazerem um fim-de-semana prolongado em homenagem ao Sumo Pontífice.

Trabalhadores de todos os Concelhos: uni-vos e manifestai-vos!

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

NATURISMO


Por proposta de “Os Verdes” vai ser discutida na próxima 5ª feira na Assembleia da República uma Lei que permitirá às Autarquias definirem quais as praias ou locais destas onde se pode praticar nudismo, esperando-se que, se a mesma for aprovada, passe a haver muitos mais areais onde os corpinhos se bronzeiem por inteiro, sem aquelas inestéticas manchas provocadas pela sombra dos biquínis ou calções de banho.


Mas esta medida terá um alcance muito maior, pois já dizia Durão Barroso há uns anos que “o país está de tanga”. Daí para cá até a tanga já perdemos, pelo que assim se dá a possibilidade de democraticamente todos poderem finalmente ir à praia em pelota, sem que venha o cabo do mar fazer qualquer repreensão por as partes mais íntimas estarem à mostra.


Por exemplo, no Seixal temos a praia da Ponta dos Corvos e a praia da Velha, qual delas a melhor e com excepcionais infra-estruturas balneares.


Qual vai o nosso amigo Alfredo escolher para a prática de nudismo?


Aceitam-se apostas.


sexta-feira, 19 de março de 2010

UMA PÉROLA



Inês de Medeiros, deputada na Assembleia da República Portuguesa, membro da Comissão de Ética, saiu-se com esta pérola:

"Se Sócrates mentiu,

nem acho que seja muito grave".

quarta-feira, 3 de março de 2010

PALHAÇO

Nem tudo está perdido e ainda existem pessoas com coragem suficiente para escreverem aquilo que pensam.
Mário Crespo é um bom exemplo do inconformismo e mesmo sofrendo as pressões a que os políticos – todos os políticos – nos querem sujeitar, ele continua a maravilhar-nos com as suas lúcidas crónicas, focando temas tão actuais e, para nosso desespero, tremendamente verdadeiros.


O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco.
E diz que não fez nada.
O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso.
O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes.
Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si.
O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos.
Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos.
E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa.
O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos.
O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas.
O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém.
Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem.
O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público.
E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal.
Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço.
Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar.
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A escolha é simples.
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Ou nós, ou o palhaço.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

UM BOM EXEMPLO

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De acordo com o “Correio da Manhã”, o presidente da Câmara Municipal da Vidigueira, Manuel Narra, vai cortar dez por cento do seu salário para dar aos funcionários do município que recebem o ordenado mínimo. A medida estende-se aos restantes eleitos, todos pela CDU, e aos nomeados em cargos como o Gabinete de Apoio à Presidência.

Diz o autarca alentejano: “Depois do apoio social aos munícipes, decidimos desta vez melhorar as condições salariais dos funcionários que mais precisam, acabando com o índice remuneratório 1 [salário mínimo]. Para não agravar a despesa com custos de pessoal, decidimos cortar 10% dos salários do presidente, vereadores e nomeados”.

Esta medida, que entrará em vigor já a partir de 1 de Fevereiro, abrangerá cerca de 40 funcionários que ganham actualmente 450 euros, passando a receber 532, um aumento de 82 euros.

Ora aqui está um bom exemplo que deveria ser seguido por todos os políticos deste país, começando no Presidente da República e acabando nos Presidentes de Junta de Freguesia.

Estão a ver esta medida ser aplicada no Concelho do Seixal?

Eu também não.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DIA DE REIS


Neste dia, que simbolicamente é de Reis, deveria servir para além de se comer o tal bolo com o buraquinho no meio, para também nos questionarmos sobre a utilidade da mudança em Portugal do sistema monárquico para o sistema republicano há quase cem anos.

De 1910 a 1926, ou seja durante 16 anos, a bagunça foi de tal ordem que os sucessivos governos desbarataram todo o aparelho do Estado e as finanças públicas, obrigando a um golpe militar e à vinda do professor de Coimbra para tomar conta disto por mais de 40 anos, com Presidentes da dita República que não passavam de meros figurantes, tal como se passa hoje, após 35 anos de um outro golpe militar.

Que vantagens nos trouxe a República se continuamos a ter um sistema feudal com os seus mais altos representantes, tais como o Marquês de Freeport, o Barão de Nafarros, o Conde de Oeiras, a ex-Marquesa de Felgueiras, o Duque de Gondomar, o Visconde das Antas e tantos outros que se ainda não possuem qualquer título, pelo menos a eles aspiram.

Estou a lembrar-me, por exemplo, daquele senhor que já foi ministro e agora é presidente do Concelho de Administração da Mota-Engil, do outro que é ou era administrador do BCP e agora passou a Consultor e tantos outros, que dentro de pouco tempo serão certamente nomeados no mínimo Cavaleiros de uma qualquer Ordem Honorífica.

Que República é esta que pouco falta para ser apenas das bananas?

Prefiro ter um Rei a sério em vez de manequins da Rua dos Fanqueiros.